Mostrar mensagens com a etiqueta Mete a colher. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mete a colher. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Namorado rifa-se



Namorado rifa-se. Ele não dá muito trabalho, sobretudo porque trabalha muitas horas e passa pouco tempo em casa. Se estiver a chatear a muito, basta darem-lhe um jogo para as mãos. Ele gosta muito do Football Manager, que é capaz de jogar até às 3h da madrugada, na cama, mesmo que isso acorde quem está ao lado, mas a verdade é que se lhe derem um jogo tipo a paciência, aquele jogo de cartas que todos jogámos no primeiro computador com Microsoft, também se entretém bastante. Mas, convém notar que isto é para os dois lados, não chateia, mas também deixa de ouvir e ficam cortados todos os meios de comunicação, mesmo que o mundo esteja a acabar.
Traz bagagem. Daquela que nem sempre é útil e um dia vai ligar depois da meia noite com um tema cuja urgência vocês não vão perceber.
Gostava de viver como as personagens da série Friends. Por ele, toda a gente tinha a sua chave de casa, desde os amigos às ex-namoradas. Sempre que se combina um jantar quer que seja em casa dele e é por isso que tem tachos e panelas de tamanhos industriais.
Se lhe derem os ingredientes, também trata da própria comida. Ou se estiver já entretido com o jogo da paciência, chama um uber eats, sem chatear ninguém. Pedir-lhe para fazer compras num supermercado é que pode ser perigoso. Pode acontecer como já me aconteceu a mim em que, quando confrontado com a falta de papel higiénico, ofereceu o rolo da cozinha ou, muito pior, pode ir, mas gastar o dobro ou o triplo sem ninguém perceber como. E não é por comprar vinho ou assim. Eu já fiz o teste. Sem vinho a conta vem ainda mais alta.
Por outro lado, se quiserem jantar fora é quase certinho que paga o jantar.
Tem uma boa cultura geral, mesmo que grande parte desta advenha do futebol ou do basquetebol. Sabe capitais de países porque o jogador de futebol tal foi para lá transferido, sabe o que são e como se comem scones porque o do basquetebol comeu num programa qualquer. Se o conseguirmos desviar destes desportos até tem uma conversa bastante agradável. Um desafio que vale a pena.
É ótimo para estas noites de inverno. Quentinho qual saco de água quente e excelente encosto no sofá enquanto se vêem séries. Dá bons abraços.
 Se precisarmos de ajuda com alguma coisa, não descansa enquanto não o fizer. E se calhar não perceber nada do tema com que precisamos de ajuda, vai fazer tudo para perceber, desde ler a falar com quem for preciso, até saber. E vai ajudar. Muito.
Se tivermos doentes, traz-nos chazinho, faz-nos o nosso prato favorito. Ou manda vir. Ainda assim, pensando bem, acho que compro eu todas as rifas.

sábado, 17 de novembro de 2018

Crónicas de uma vida a dois - A roupa

Para falar da importância do tema roupa na minha relação, tenho que tocar em dois aspectos, a capacidade estética e a capacidade para lavar. Se num, o João nunca me enganou, no outro, vim completamente ao engano.

O João gaba-se muito de saber fazer tudo em casa. Diz que a mãe o ensinou antes de fazer Erasmus. O problema é que não explica que a mãe ensinou 5 minutos antes dele arrancar e, até aí, fez-lhe absolutamente tudo. Desde tratar-lhe da roupa, até lhe descascar a frutinha toda. 
Quando o João veio viver para esta casa, em Fevereiro, eu, supostamente, ainda não vivia com ele. Digo supostamente, porque na verdade já passava cá bastante tempo e assim fui ficando até ao dia em que nos apercebemos que nunca mais saí. Para não andar com a trouxa sempre atrás, ia deixando alguns essenciais por cá. Quando me começaram a faltar cuecas, o João aproveitou. “Já que vais fazer uma máquina, podes lavar isto aqui, também?”. E eu, que namorava com ele há pouco tempo e ainda andava na fase da conquista, assenti, “claro que sim”. Vou lavar-lhe a roupa de tal maneira que nunca ele viu roupa tão bem lavada. Vai adorar-me, ainda mais, e viveremos felizes para sempre. E assim foi. Eu não sabia, mas este foi o mote para uma relação muito duradoura. A minha com a máquina de lavar. Até hoje, passados 8 meses, nunca o Joao sequer carregou num botão da máquina. Diz que não sabe. Tirou um curso superior, já trabalhou com consultor, mudou de área para passar a ser uma coisa que ninguém sabe o que é e que chamam de estratega. Estratégia para aprender a rodar um botão numa máquina é que nem vê-la. 

Depois temos a parte da capacidade estética do menino para se vestir. Felizmente, ele tem uma amiga que o adora e se predispõe a ir com ele às compras. Uma espécie de personal shopper. Ele avisou-me sobre isto logo no primeiro encontro. Conhecemo-nos no início do Verao, pelo que durante alguns meses só vi com umas t-shirts com graçolas e uns calções pelo joelho, que por ser gordinho e branquelas lhe ficam muito fofinhos. Conheci a amiga personal shopper precisamente no pleno das suas funções. Fui ter com eles ao corte inglés. Ia nervosa porque esta me parecia importante na vida dele e na minha validação enquanto merecedora do seu amor. Fiquei impressionada com a sua desenvoltura. Já sabe o que lhe fica bem, o número dele e deixa-o muito compostinho. 
Entretanto, chegou o Inverno e com ele veio a camisola da banana. Uma camisola de malha com um desenho de uma banana semi-descascada. Uma peça escolhida, única e exclusivamente, por ele. Sem ajudas. Quase que achei fofinho, numa cena à Bridget Jones e a camisola de Natal de Mr. Darcy. Só que não. 

A semana passada, quando eu achava que nada podia ser pior que a banana, ele diz-me, super feliz, que comprou uma camisola nova. Para finalizar e para se perceber o motivo pelo qual vale a pena escrever este texto, deixo-vos uma foto da dita. Deixo também a questão, como é que se destroem camisolas de modo a parecer um acidente? É para uma amiga. 






domingo, 11 de novembro de 2018

Como a websummit quase destruiu a minha relação

Às 10h em ponto já estava eu na fila para me registrar naquele que diziam ser o acontecimento, não do ano, mas de uma vida.
Não percebo nada de tecnologia, nem muitas das 70.000 pessoas que fizeram questão de ali estar, na feira mais tecnológica do mundo, a Websummit.

Na verdade, a minha excitação prendia-se mais com a minha companhia que com a feira. Iamos estar juntas depois de alguns meses. Na verdade, alguns anos, já que depois de eu ter emigrado para a Irlanda, passámos de um convívio diário, para um convívio mais esporádico. Quando dizem que nunca mais voltamos ao mesmo lugar, é disto que falam. Das novas rotinas, das novas famílias, das estradas que mudaram de sentido, prédios que foram construídos, lojas que fecharam. Os amigos habituam-se a viver sem nós e retomar de onde ficámos é duro. 

Chegámos sem fazer a mínima ideia daquilo que devíamos esperar do pretexto que agora nos juntava. E aquilo é um mundo. As tais 70.000 pessoas, um número sem fim de start-ups, stands de empresas menos starters, conferências, pitchs, encontros, brindes, comidas e bebidas. 

Passámos o dia a tentar encontrar o fio à meada e acabámos, cansadas, sentadas numa esplanada. Bebemos uma caipirinha para relaxar. E depois outra. E foi quanto bastou para eu ficar totalmente embriagada. 

Fui visitar o stand do João, o meu namorado, que se encontrava também ali, em trabalho. Conta ele que vinha contente e a falar alto. Mesmo no ponto ideal para me apresentar à chefe, colegas e outros que tais. Só que não.

A custo, lá me arrancaram dali e fui para casa. Na altura vivia na outra margem, pelo que tinha que apanhar o metro, o barco e, finalmente, o carro. Vomitei na casa de banho de uma das estações de metro, o que deixou o João, que ia acompanhando a saga por mensagens, em sobressalto. Tentou dissuadir-me de ir assim para casa, mas eu, bebeda, tinha uma missão, não queria perturbar o seu trabalho. Disse-lhe que não, que já estava no barco, que não valia ir-me buscar e pardais ao ninho. 
Entretanto, faltavam 30 minutos para o barco, tinha fome e, como não estava na posse de todas as minhas faculdades, achei que era tenpo suficiente para ir jantar, voltar e apanhar tal barco. Fiquei sem bateria no telefone. Perdi a noção do tempo. Perdi o barco. 

Quando, finalmente, arranjo maneira de ligar o telefone e contactar o João, este tinha-se deslocado à outra margem para me impedir de pegar no carro. Como eu tinha perdido o barco, ele já lá estava há uma hora sem fazer puto de ideia onde eu estaria. Ligo-lhe sem fazer também ideia da sua espera.

- onde estás?
- estou a jantar com o Marco. 

Ele não disse, mas eu ouvi no seu tom de voz, “quem raio é o Marco?”. 

E eu explico-vos, aqui e agora. Fui jantar ao H3 do Cais do Sodré. Aquele em que servem às mesas. Estava lá sentadinha sozinha convencida de que tinha todo o tempo do mundo para apanhar o barco, quando vejo um colega de trabalho, também ele sozinho. Juntámo-nos na mesma mesa. E foi só isto. 

Quando percebi que o João estava à minha espera, corri para o barco. Acho que ainda tive que esperar outra meia hora. No total, o João esperou por mim duas horas, sempre sem saber quem raio era o Marco. 
Cheguei e levou-me a casa. Quando chegámos, estava a minha mãe à porta a passear a minha cadela. O João ainda não tinha sido oficialmente apresentado à família. A minha mãe deu por falta do meu próprio carro. Eu expliquei-lhe, “Ficou nos barcos porque eu não estou em condições de conduzir”. Isto sem dar qualquer oportunidade ao João de lhe explicar que me entregava ali naquele estado sem qualquer responsabilidade pelo mesmo. 

No final, fiquei de ressaca ainda antes de me passar a bebedeira, que é das sensações mais horríveis que já tive. E o João? O João perdoou-me. 


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Crónicas de uma vida a dois - Party & Co



Desengane-se quem acha que o derradeiro desafio de uma relação é partilhar casa. Ou ter filhos. Ou assinar papéis com a bênção de Deus. 
Quando se tem um namorado competitivo como o meu, o derradeiro desafio é outro. 
O João não joga à bola, nem faz qualquer outro desporto. Também, Já não tem muito mais para subir em termos de posição profissional. Talvez por isso, todo a sua capacidade competitiva se resuma a 3 coisas.
  1. O Sporting (tadinho...)
  2. Ver séries. Se alguém andar a ver a mesma série que nós, ai de nós se nos atrasamos e ficamos uns episódios atrás, ou, ultraje dos ultrajes, temporadas. Para que serve ver uma série? Estar descansadinha só a desfrutar do tempo que se tem livre? Dormir 8 horas de sono? Naaaã.  Isso é para meninos. Se fulano e beltrano já viram, ninguém sai daqui sem ver, pelo menos, um episódio a mais que essa pessoa. 
  3. Jogos de tabuleiro. 

Namorávamos há menos de um ano quando convidámos uns amigos para jantar em nossa casa. Uma das convidadas, provavelmente, já a ver se me montava ratoeira, trouxe um jogo de tabuleiro chamado Party & Co. Basicamente, este jogo é uma mistura de vários. Perguntas de cultura geral, mímica, desenhos e palavras proibidas. 
Ela trouxe o jogo, mas também me avisou, “ele é um chato a jogar”. Tentei impedir a coisa tanto quanto uma namorada de há menos um ano consegue: fui tímida e pouco assertiva. 

Se hoje lhe perguntarem, ele vai dizer que são calúnias e que estava só a brincar. Não estava. Estava a dar tudo pela prova da sua superioridade intelectual. Acha-se esperto, este.

Para azar dos meus azares, qual é a categoria preferida do menino? Aquela que nunca ninguém quer: cultura geral. É muito menos embaraçoso não saber desenhar que não saber uma pergunta de cultura geral. Ninguém quer correr esse risco. Mas não. O menino não me queria a fazer macacadas, nem rabiscos. Como a Lei de Murphy funciona sempre sempre nestes momentos, qual foi o tema que mais me saiu: futebol. 

Foi mau. Foi muito mau. Durante meses ouvi-o contar a cada pessoa com quem se cruzava que eu não tinha adivinhado que o jogador do Benfica que usava as golas levantadas era o Rui Costa. Ou que respondi que na passagem de ano se comia camarão (eram passas, aquela porcaria que eu nunca, nem que me paguem, como na vida). Reclamou cada vez que errei. Reclamou dos meus desenhos, das minhas mímicas e tudo e mais alguma coisa. Vi a relação por um fio.

Jogámos até às 5h da manhã. Ganhámos aos outros dois casais e, mesmo assim, não me perdoa. “O Rui Costa? Porra, babe, o Rui costa?”. Não sei se sobrevivemos a isto. 

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Era para isto?

Desde que namoro com o João, há coisa praí de um ano que leio muito menos, oiço muito menos podcasts e ultrajes dos ultrajes, durmo muito menos e já acordei a meio da noite a dizer que o melhor é sermos daqueles casais que vivem em casas separadas (Normalmente o amoque passa-me de manhã). Acho relevante explicar que, antes de namorar com ele, trabalhava que me desunhava. Saía tarde. Uma vez em cada três meses, trabalhava aos fins-de-semana. Ainda saía com amigos. Passava bastante tempo em casa duma vizinha. Via tantas ou mais séries das que vejo com ele E, ainda, tinha tempo para esses meus prazeres todos. 

Agora, estou desempregada. 

Ou seja, isto de namorar dá muito mais trabalho que trabalhar em finanças numa multinacional americana. 

Era por isto que as pessoas inclinavam a cabeça em comiseração sempre que lhes dizia que não tinha namorado? É isto? É isto que tanta falta me fazia? 

Mas depois, nos dias em que nos corre tudo mal, que o carro dele é rebocado, que eu chego a casa a chorar por causa do trabalho, a cadela fez chichi dentro de casa ou tivemos uma discussão por causa de uma qualquer parvoíce, ele estende-me a mão e diz-me, “vai correr tudo bem” . É aí que eu entendo.  


sexta-feira, 6 de julho de 2018

O piaçaba do (des)amor




Há um qualquer síndrome humano que leva a que se sinta a necessidade de que, numa relação se façam coisas, “por mim”. À minha volta conheço vários exemplos. A mulher que pede ao marido para fazer dieta, “se não é por ti, faz por mim”, o gajo que insiste que ela deixe de fumar, “se não é por ti, faz por mim”, a que quer que abrande no trabalho e até a que quer que arrume a roupa suja. Regra geral, há sempre ali um comportamento, a imperfeição dos amores perfeitos aos quais se é tão sensível ou dos quais se está tão cansado que quase dependem deles toda uma relação . Ou apenas uma chantagem emocional.
No nosso caso, há uma guerra pouco muda sobre um piaçaba.
Vim viver com o meu namorado na casa onde este já viveu com a ex. A crise imobiliária não nos permite frescura e, achava eu, fazer de um espaço físico um sítio nosso, não há de ser tão difícil (caro) quanto isso. 
Se não me incomoda dormir no mesmo sítio, usar os mesmos tachos, sentar na mesma cadeira, incomoda-me, insuportavelmente, usar o mesmo piaçaba. Pedi para que o substituisse na primeira semana. O dito está sujo. Sujo daquilo que serve para limpar. Uma vez que ele é que era o gajo da relação, mesmo que só literalmente falando (metaforicamente não faço ideia), até acredito que tenha sido ele. Por outro lado, como, sendo gajo, tem uma qualquer dificuldade em usar a coisa quando é preciso, fico na dúvida. 
A verdade é que aquele objecto assumiu um simbolismo e, passados 5 meses, sempre que me sinto ameaçada por um fantasma que está mais próximo do que eu gostaria, o piaçaba vem à baila. E seguem-se, invariavelmente, promessas de que irá à vida.
Ali continua. O piaçaba e muitos outros objectos cuja utilidade tem sido apenas para discussão. De repente, todo o nosso (des)amor depende dum raio dum piaçaba. O verdadeiro objecto de merda.

E vocês, que objecto/comportamento têm com tal simbolismo? 

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Ser namorada de um Sportinguista



Um dos motivos pelos quais me apaixonei pelo João foi a sua inteligência emocional. À medida que íamos falando e nos íamos conhecendo, que me contava a(s) sua(s) histórias, achava que era alguém muito maduro com uma excelente capacidade de resposta às suas emoções e às dos outros.
Um dia, ele contou-me que era adepto do Sporting. Eu não percebo muito mais de futebol do que saber que há 3 grandes e, achava eu, iam ganhando os 3. E foi aí que percebi que o meu namorado pode ter a inteligência cognitiva e emocional de uma alforreca. Contou-me ele que ter amor ao seu clube é ter um amor genuíno, verdadeiro, que não espera recompensa, isto porque, afinal, o Sporting… não ganha. Portanto, estou perante o equivalente àquela gaja que se entrega de corpo e alma à booty call. Ao gajo que não lhe retribui os sentimentos e lhe liga bêbado, de madrugada, quando lhe apetecem batatinhas.
A primeira vez que presenciei o João a ver um jogo, descansei. Viu-o pacificamente, não gritou ao árbitro nem aos jogadores, bebeu um vinhozinho que ainda nos proporcionou uma prazerosa noite e, pronto, pensei que, pelo menos, era um daqueles adeptos calmos, racionais, que gosta pelo desporto e coiso. Enganei-me. O jogo não era importante e, por isso, estava calmo.
A segunda vez que vimos um jogo juntos (mais ou menos, que eu não vejo nada, fico só ali ao lado a pensar nas minhas coisas ou a olhar para o telemóvel), por coincidência, foi, também, a segunda vez que jantei com os seus pais. Foi um drama. Houve portas batidas, saídas rompantes da sala onde estávamos. A mãe dele ficou com vergonha, eu fiquei com vergonha, o pai dele tentou explicar-nos que era importante e que se justificava o comportamento, ele lá ficou com vergonha, umas horas mais tarde, depois de lhe passar a telha e quando teve que me encarar. Passei a evitar estar no mesmo espaço físico que ele quando vê jogos e é nestas alturas que percebo o seu amor ao Sporting. É o mesmo que sinto por ele.
Entretanto, descobri que o tal rapaz de inteligência emocional acima da média, também é supersticioso. Só com o Sporting. Deixou de ir ao estádio porque dá azar, veste umas cuecas especificas em dia de jogo e, a cereja no topo do bolo, não vê os penaltis feitos pela sua equipa, mas vê os da equipa adversária. O facto de ele estar a olhar para uma televisão, defende uma bola, num estádio, seja a que distancia estiver, não estar a olhar, é o que vai permitir ao Bas Dost (as coisas que eu passei a saber!) enfiar a bola por ali a dentro. É esta rotaçãozinha dos seus pés, no conforto da sua sala, em Lisboa, que define todas as variáveis do jogo, do marcador, o guarda-redes, climáticas e “futebolásticas”.
Aqui há tempos, por azar, estava em viagem na primeira parte dum jogo em que o Sporting marcou. Na segunda parte, ao ver a coisa dificil, voltou para o carro. E lá esteve até ao fim. Aquele jogo em que houve prolongamentos e penaltis e tudo e tudo. O Sporting ganhou e não tenham dúvidas, foi só porque o João foi para o carro.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

A problemática do esparguete no paradigma duma relação a dois

Photo by Icons8 team on Unsplash


Há dois tipos de pessoas no mundo: as que partem o esparguete antes de o cozer e as que o cozinham inteirinho, como veio ao mundo. Presumo que sejam as mesmas que cortam o fio do esparguete no prato. Só alguém que desconhece o prazer de um fio de esparguete enrolado num garfo ou, ainda melhor, o prazer de chupar um fio de esparguete, o molho a roçar no queixo, o barulho com a boca e o ar que se engole, é que não tem a pachorra de esperar dois minutos, se tanto, para que o esparguete comece a amolecer e caiba todo, inteirinho como veio ao mundo, dentro da panela.
Estas pessoas são, por ordem, o meu namorado e eu. E isto leva-nos à problemática da sedução assente na publicidade enganosa. 
Será sempre díficil impressionar-me com a massa. Conheço todos os tipos, já provei todos os molhos e já cozinhei um bom número das variáveis possíveis. Não sendo fundamentalisma, conheço os fundamentalismos italianos e se, por um lado, gosto de uma massa demasiado cozida, à boa portuguesa, ou de umas natas numa carbonara, por outro, dou a mão à palmatória e percebo que regras há que não são por acaso.
Na altura da sedução, o João não me fez juras de amor eterno, mas promessas de sucumbir às tarrefas da cozinha sempre que necessário, o que, nos dias de hoje, é tão ou mais importante. Foi esperto e arriscou pouco. Fez-me fusilli e penne, cortou a cebola finamente e passou no meu teste. Estava já preparada para uma vida repleta de molho tomate e queijo parmesão. Deixei-me envolver. Acreditei que vivíamos do mesmo lado do mundo e que seríamos, gastronomicamente e domesticamente, felizes para sempre.
Infelizmente, como em todas as relações, com o tempo vem o desleixo e chegou o dia em que a cebola vem às rodelas, o alho não é descascado e, ultraje dos ultrajes, o esparguete é partido. Tive que pôr a mão na massa (literalmente) e assumir a minha superioridade na cozinha. Com isto, tive que largar o Netflix, as séries, o sofá e adicionar às tarefas de limpeza que já tinha, as da comida.







quarta-feira, 4 de abril de 2018

Tu

Não és mais, nem és menos e muito menos o "só isto" que me falas.
Sinto-te inteiro e é esse o teu mais.
Nas subtrações e adições que nos podem ser as pessoas, és só tu. Sem frações. Um só que, pouco ou muito, é tudo. E que me multiplica.

Para quem falas tu?

Comentador de notícias na internet, diz-me, para quem falas tu? Para os líderes do mundo? Para os visados nas notícias? Para os jorna...